São Paulo, 23 de fevereiro de 2026 – O Brasil enfrenta um dos piores surtos de mpox (antiga varíola dos macacos) desde o início da pandemia em 2022, com mais de 15 mil casos confirmados até esta segunda-feira, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados hoje. A doença, que se espalhou rapidamente em capitais como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, já resultou em 42 mortes no país este ano, elevando o alerta para uma possível emergência sanitária nacional.

O desenvolvimento do surto ganhou força nos últimos meses de 2025, com a identificação da linhagem Clade Ib, mais transmissível e grave, detectada inicialmente na África. De acordo com o boletim epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 20 de fevereiro, o Brasil registra o maior número de casos na América Latina, com 1.200 novos infectados na última semana. Especialistas do Instituto Butantan atribuem o aumento à baixa adesão à vacinação, que cobre apenas 40% da população de risco, e à transmissão comunitária em festas e eventos lotados durante o verão. ‘Estamos vendo uma subnotificação em áreas periféricas e entre populações vulneráveis, como homens que fazem sexo com homens e pessoas em situação de rua’, alerta a infectologista Rosana Richtmann, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

No Rio de Janeiro, epicentro do surto, hospitais como o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas estão sobrecarregados, com UTIs dedicadas atingindo 90% de ocupação. O governo estadual anunciou a distribuição de 500 mil doses extras da vacina Jynneos, importada da Suécia, mas a Anvisa relatou atrasos logísticos. Em São Paulo, campanhas de testagem rápida nas estações de metrô detectaram 300 casos assintomáticos em um dia, conforme relatório da Secretaria de Saúde estadual de 22 de fevereiro. A Fiocruz confirma que a mortalidade é de 0,3%, mas sobe para 5% em pacientes imunossuprimidos, como portadores de HIV.

Enquanto isso, o Ministério da Saúde planeja uma força-tarefa com o Exército para acelerar a vacinação em favelas e regiões remotas da Amazônia, onde casos isolados foram reportados em Manaus. A OMS recomenda medidas como uso de máscaras em ambientes fechados e isolamento de contatos. ‘O Brasil tem estrutura para conter isso, mas precisa de ação imediata para evitar um colapso como em 2022’, conclui o epidemiologista Pedro Hallal, da Universidade Federal de Pelotas, em declaração à CNN Brasil. A população é orientada a monitorar sintomas como febre, erupções cutâneas e ínguas, e buscar atendimento imediato.

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