Em um mundo hiperconectado, o termo ‘brainrot’ – ou ‘apodrecimento cerebral’ – ganhou força para descrever o impacto das redes sociais em nossa saúde mental. Popularizado no TikTok e no X (antigo Twitter), ele se refere ao consumo excessivo de conteúdos curtos, absurdos e viciantes que deixam o cérebro exausto e incapaz de processar ideias complexas. De acordo com um estudo da Universidade de Nova York publicado em 2023 na revista ‘Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking’, usuários que passam mais de duas horas diárias em plataformas como TikTok e Instagram relatam 30% mais sintomas de déficit de atenção. Hoje, 24 de fevereiro de 2026, o fenômeno explode com trends como ‘skibidi toilet’ e challenges surreais que misturam memes nonsensicos com IA gerada.

O desenvolvimento do brainrot é alimentado por algoritmos projetados para maximizar o tempo de tela. Relatórios da Common Sense Media, de 2024, mostram que adolescentes consomem em média 8,5 horas de conteúdo digital por dia, com 40% desse tempo dedicado a vídeos de 15 segundos. Bizarrices como vídeos de ‘Ohio rizz’ – gírias inventadas que viram febre global – ou edits de personagens de anime em situações absurdas não só distraem, mas reconfiguram padrões de pensamento. Neurocientistas da Universidade de Cambridge, em pesquisa de 2025, identificaram que esse scroll infinito reduz a capacidade de retenção de memória em 25%, comparável aos efeitos de multitarefas crônicas. É como se as redes sociais nos dessem uma dieta de junk food mental: rápida, prazerosa e nutricionalmente vazia.

Não são só os jovens: adultos também caem na armadilha. Um levantamento do Pew Research Center em janeiro de 2026 revelou que 62% dos americanos entre 30 e 49 anos admitem sentir ‘fadiga mental’ após sessões de redes sociais. Exemplos recentes incluem o viral ‘sigma male grindset’ misturado com áudios de baixa qualidade e filtros de deepfake, criando um ciclo de entretenimento vazio. Especialistas como o psicólogo Dr. Jean Twenge, autora de ‘iGen’, alertam que isso agrava ansiedade e depressão, com picos de 15% em diagnósticos entre Gen Z desde 2023.

Diante disso, combater o brainrot exige conscientização e limites. Apps como Freedom e Screen Time ganham tração, enquanto movimentos como ‘Digital Minimalism’ propostos por Cal Newport inspiram detox digitais. As redes sociais não vão sumir, mas entender suas bizarrices é o primeiro passo para não deixar nosso cérebro apodrecer. Hora de trocar o scroll por reflexão real.

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